• Alfredo Lhullier

Devo ou não devo tomar remédios?

Psicofarmacoterapia 1

Volta e meia se lê em alguma revista, ou jornal, notícias sobre novas drogas, alardeando seus resultados, falando em grandes e milagrosas curas. Às vezes não é tão exagerado, traz a citação de alguns – poucos – artigos, comprovando as afirmações. Outras vezes é o contrário, o artigo “desmascara” a industria farmacêutica, revelando que as drogas são todas um embuste, e que não fazem efeito algum.

Em ambos casos o prejuízo é grande, pior no segundo. Muitas pessoas constroem expectativas exageradas, ou inadequadas, baseadas nestas leituras, e esperam que o tratamento medicamentoso seja algo fácil, singelo e de grande melhora imediata, ou o contrário, abandonam tratamentos que vinham ajudando, mas não totalmente, deixando sintomas residuais, seja por estarem muito no inicio ou incompletos. Outras vezes, como no restante da Medicina, estados crônicos regridem lentamente, com altos e baixos, ou deixam alterações desconfortáveis e/ou incuráveis, mas com significativa melhora que permite viver.

Muitas vezes a comunicação com o clínico prescritor é um fator importante, ou seja, falta de informações ou de compreensão de parte a parte: o médico que prescreve não explica de forma suficiente ou o paciente não entende a explicação que, diga-se de passagem, deve obrigatoriamente acompanhar qualquer prescrição ou intervenção terapêutica que se pretenda aplicar a outrem.

Aprendi cedo a importância desta comunicação plena. Mais ainda, com grande cuidado porque nosso interlocutor muitas vezes não está de posse de sua capacidade mínima para entender o que dissermos, o que nos obriga a um esforço maior no sentido de avaliar como recebe o medicamento. Se achar que não é bom, não vai tomar, ou até toma, mas “faz mal”. Os efeitos adversos, quase sempre presentes em maior ou menor grau, acabam por ocupar a primeira fila nas avaliações que o paciente faz de seu tratamento medicamentoso. Às vezes se queixa, o que permite ao clínico bem avisado revisar estas crenças infundadas, mas nem sempre. Muitas vezes simplesmente abandona o remédio e o médico. Às vezes o assunto se torna um dos focos da psicoterapia, e vai depender das crenças do terapeuta trabalhar ou não, de forma adequada, as distorções presentes na mente do paciente.

Levando em conta que inúmeros estudos demonstram a eficácia dos medicamentos, falando de maneira geral, e a enorme melhora de prognóstico com seu uso no tempo e por tempo suficiente, é no mínimo pouco ético subtrair esta informação ao paciente, pior ainda recomendando outro método de terapia que não esteja cientificamente validado.


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